As eleições intercalares dos EUA podem moldar as políticas de transportes em todos os níveis de governo, desde os parlamentares que negociarão a próxima lei federal de infraestrutura até as consultas locais sobre transporte público e ferrovias. A Lei de Investimento em Infraestrutura e Empregos deve expirar em dezembro, o que deixará o próximo Congresso encarregado de negociar uma substituta, caso o atual não aja antes.
Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 33 cadeiras do Senado estarão em disputa. Os transportes têm tido destaque nas campanhas de alguns candidatos, embora isso não ocorra de forma consistente. O democrata de Michigan Abdul El-Sayed chamou atenção por ir de bicicleta a eventos de campanha, mas ele e seu adversário republicano, Mike Rogers, apoiam a suspensão do imposto sobre a gasolina — uma proposta à qual alguns defensores dos transportes se opõem. O democrata de Iowa Josh Turek também apoia a suspensão do imposto.
Em Nebraska, o senador republicano Pete Ricketts busca a reeleição. O grupo de políticas de transporte EnoTrans destacou seus esforços para revogar a isenção concedida à Califórnia para suas regras sobre carros limpos e seu apoio à eliminação dos padrões de economia de combustível. O democrata do Maine Troy Jackson prometeu buscar recursos federais para ferrovias, enquanto o ex-senador de Ohio Sherrod Brown tenta reconquistar sua cadeira.
Os governadores também exercem influência considerável sobre os transportes, em parte por meio de nomeações para os departamentos estaduais de transportes e seus conselhos. Em Illinois, o desafiante republicano Darren Bailey propôs eliminar os pedágios, o que prejudicaria o plano do atual governador democrata J.B. Pritzker de destinar parte da receita dos pedágios ao transporte público. Na Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms criticou a decisão do estado de negar recursos operacionais às agências de transporte público, enquanto seu adversário, Rick Johnson, não se pronunciou publicamente sobre o assunto. A disputa é considerada acirrada.
Consultas locais e regionais também podem determinar se os sistemas de transporte público evitarão cortes de serviço ou obterão recursos para expansão. A Califórnia tem cinco propostas de financiamento do transporte público. Na região da Baía de São Francisco, um imposto regional sobre vendas é considerado particularmente importante para evitar grandes reduções de serviço, assim como um imposto sobre propriedades destinado às operações da rede de São Francisco.
No Colorado, os eleitores de 13 condados decidirão sobre um financiamento específico para uma proposta de linha ferroviária de passageiros que ligaria Denver, Colorado Springs e Pueblo. Seattle e o condado de Pierce, no estado de Washington, estão considerando medidas para financiar as operações do transporte público e ampliar os serviços; a proposta do condado de Pierce poderia aumentar a oferta em 40%. Tempe, no Arizona, poderia financiar melhorias no transporte público, no ciclismo e na mobilidade a pé por meio de um imposto sobre vendas proposto de 0,5%.
Outras medidas incluem propostas de financiamento do transporte público nos condados de Charleston e Greenville, na Carolina do Sul; a renovação do financiamento de uma autoridade de transporte público no condado de Stark, em Ohio; e um aumento do imposto sobre vendas em Lawrence, no Kansas, para apoiar o transporte público e manter o serviço de ônibus gratuito. Os condados de Cobb e Douglas, na Geórgia, estão considerando aumentos de impostos para os transportes, embora pelo menos uma das medidas possa financiar o alargamento de estradas. Michigan tem três propostas de financiamento do transporte público em nível de condado; uma delas reduziria o financiamento para abaixo dos níveis anteriores.
Em Converse, no Texas, os eleitores podem optar por sair do sistema regional de transporte público. Segundo o relatório, a cidade deve US$ 14 milhões ao sistema. O resultado dessas disputas e consultas pode afetar o transporte público, as ferrovias de passageiros, os gastos com estradas e as opções disponíveis para quem caminha ou anda de bicicleta.
Fontes: Streetsblog USA.